Serjão comenta do céu

A Verdade dói. E aqui machuca mais.

Sábado, Abril 19, 2008

A primeira dengue a gente nunca esquece. A “segunda” também não.

Quando Jorge Benjor compôs “País tropical” era ao Rio de Janeiro que se referia. Afinal, ele é daqui da Tijuca. Mas, cá para nós, é uma ode infundada. “Bonito por natureza” não há dúvidas. Mas “abençoado por Deus” é invenção e propaganda enganosa. Deus não tem nada a ver com que o Rio sofre. Porque é impressionante a capacidade que esta cidade tem de encerrar coisas ruins. Bandidos, traficantes, favelas, um calor abominável, populistas corruptos, torcedores do Flamengo. O rol é inesgotável, amigo. É ruim de Deus ter abençoado isso aqui, heim? E de vez em quando ainda piora quando aparece por cá uma praga bíblica. No passado tivemos Brizola. Recentemente houve o casal Garotinho, uma maldição para Moisés nenhum botar defeito. Agora é a vez do mosquito da dengue. E é daí que começa a minha história.

Tudo começou na noite de domingo retrasado. Uma indisposição estranha, com muita diarréia, vômitos e febre baixa. Foi uma madrugada braba, mas até que acordei melhor. Ligo para uma amiga médica que trabalha em emergências e vem a hipótese:
-Você pode estar com dengue!
Não parecia. Eu já contraíra o vírus da dengue em 2001. Foi muito mais devastador do que aquilo que eu estava sentindo. Por via das dúvidas procurei um médico numa emergência num hospital da zona sul da cidade que aumentou a suspeita. Disse que a epidemia estava fora de controle e que até quadros de dengue sem febre ele já presenciara. A simples suspeita de eu estar com dengue foi o suficiente para que o tratamento preconizado fosse como se eu estivesse com dengue. Foram hemogramas quase diários cujos resultados determinavam a necessidade ou não de hidratação venosa, coisa que me submeti por três vezes. Isso sem falar nas quantidades industriais de água que eu era obrigado a beber. E o pior, sem estar sentindo nada. Sem febre, sem dor de cabeça, sem porra nenhuma. A sorologia, seis dias depois dos sintomas, veio negativa, ou seja, o que eu tinha não era dengue. Não convencido, o médico solicitou uma nova sorologia que por usa vez também veio negativa. Só então ele relaxou e me liberou. Muito barulho (e sofrimento) por nada.

Volto a consultar aquela amiga médica. Pergunto o que está havendo. A minha dedução é simples: ou a coisa é muito pior do que parece, com mais mortes do que o divulgado (o que explicaria a extrema cautela com os médicos estão lidando com a epidemia) ou a coisa virou mercado. Estamos em Bananópolis onde até o pipoqueiro na frente do hospital lucra com a desgraça alheia. A resposta dela é simples.
-Não é nada disso. É pânico mesmo. Simplesmente medo. Não há um teste rápido de sorologia. Diante de sintomas tão díspares, ninguém sabe quem está com dengue ou não. Não dá para prever quem vai evoluir bem ou não. Daí, todo mundo ganha hidratação venosa, mesmo que tenha aparecido na unidade de saúde apenas porque torceu o pé.
Foi nessa que eu entrei. Foi por isso que eu sumi.

Claro que fiquei não alheio ao que acontecia no país. Mas também não dá para comentar agora. Certas coisas me deram nojo, como o fato de Lula, que sempre flerta com a delinqüência, ter vetado o controle dos vagabundos sindicalistas pelo TCU. Mas o que passou, passou. Até mesmo sobre os aspectos políticos da dengue eu já me referi. Tentarei me ater aos fatos do cotidiano. Isso se ainda quiserem ler as besteiras que eu escrevo.
Termino agradecendo às dezenas de três ou quatro e-mails e comentários que recebi perguntando pela minha breve ausência. Como não tenho sócio o blog ficou às moscas. Faltava um certo ânimo para escrever. Mas agora tentarei voltar á programação normal.
Abraços a todos.

Marcadores: ,

10 Comments:

  • At 19/4/08 23:49, Anonymous Graciele said…

    Muito bom saber que você voltou Serjäo... nesses ultimos dias entrava todo os dias aqui p/ ver se você aparecia!
    Seja lá oq você tiver, melhoras.

     
  • At 20/4/08 00:56, Blogger Stefano said…

    Grande Serjão!

    Se eu desse de cara com o poster do Dossiê É Tucano, hoje eu ia reclamar...Bom, tá explicado...e ainda bem que você sumiu por uma mera dengue genérica, a popular "virose"...

     
  • At 20/4/08 10:57, Blogger Ricardo Rayol said…

    Eu achava que estava de férias. Juto que esqueci que tu mora no Rio e podia estar dengoso. Caraleos.

     
  • At 20/4/08 11:21, Blogger João Bosco said…

    Esta moléstia não é brinquedo, por isso a precaução dos médicos.
    Pio, durante uma época do ano, quase não há casos, quando aparece condições ideais, o mosquito volta, o político lembra e também a população.

     
  • At 20/4/08 13:59, Anonymous Magui said…

    Eu vim cá mas a caixa de coments não aparecia.Vejo que hoje está aqui.O pânico é também resultado da incompetência.Na dúvida o dinheiro sai pelo ralo , uma coisa puxa outra.Bastou um tiroteio para todo mundo deixar de ir na tenda da dengue e baixar os índices dos contamiandos.Muita gente que não tem o que fazer ou com quem conversar adora ir ao médico.Veja a fila do INSS, metade não tem nada..

     
  • At 21/4/08 14:14, Anonymous jc said…

    Wellcome back!

     
  • At 21/4/08 19:04, Blogger David said…

    O que importa é que esteja bem. O resto se arruma.

     
  • At 21/4/08 23:12, Anonymous Anônimo said…

    Boa Serjão.
    Aquela foto da DILMA TÁ UMA COMÉDIA.

     
  • At 22/4/08 09:25, Anonymous Luciana RJ said…

    Bom retorno, Serjão. Eu também vinha todos os dias aqui, mas a caixa de comments não estava disponível. Suas "besteiras" são sempre ótimas de se lê, continue escrevendo. Seu blog virou meu vício, sabia? O do Walter também, mas ele não quer nada, né.

    Em relação a sua dengue, a filha do meu namorido também ficou mais ou menos assim na semana passada. Chegaram a dizer que ela estava com princípio de rubéola! Pelo que o pai dela viu, o número dado pelos governos é beeeem inferior à realidade. Claro, e eles vão dizer a verdade?

    Grande abraço.

    Luciana.

     
  • At 22/4/08 16:55, Anonymous Anônimo said…

    Vc voltou!! Que Bom!!

    Atenciosamente;
    L.A.S.

     

Postar um comentário

<< Home

online