Um trem de emoções fortes e pessoas fracas
Falem o que falarem, pensem o que pensarem mas não é absolutamente excitante morar no Rio de Janeiro? Sei que o assunto é velho mas em que outro lugar do mundo um trem com Ministros de Estado a bordo seria alvejado por traficantes como foi no Jacarezinho? Só aqui e no Iraque, brow. Os caras são ousados mesmo. A bandidagem daqui não é brinquedo, não, o que torna viver no Rio de Janeiro uma experiência tristemente diferenciada.Mas que anfitrião seria eu se não apresentasse aos meus leitores a região onde o atentado aconteceu? Por motivos alheios à minha vontade (e bota alheios nisso) eu conheço razoavelmente a região, como várias outras localidades carentes do Rio. Na verdade nem dá para afirmar se ali é a Favela (favela, sim. “Comunidade” é coisa para antropólogo) do Jacarezinho ou o Parque Arará. As duas favelas são contíguas e não dá para saber onde começa uma e termina outra. Independente disso, trata-se de um dos lugares mais pobres que eu conheço onde a desordem da ocupação inadvertida atingiu o seu auge, com alguns barracos chegando a se localizar a cerca de meio metro da linha do trem. (aqui neste link há ótimas fotos que comprovam isso) Comparada ao local, a Rocinha é Nova York. Por isso, a locomotiva quando passava era obrigado a trafegar numa velocidade muito baixa o que permitia saques de qualquer coisa que se estivesse transportando além de causar inúmeros acidentes com mutilações e mortes. Esta área se localiza a cerca de 300 metros do extinto Parque Industrial do Jacaré que há cerca de vinte anos era um grande centro produtor e arrecadador de impostos e hoje, expulso pelo tráfico, são apenas escombros invadidos por famílias faveladas. Resumo da ópera: um exemplo do legítimo african-brazilian way of life.
Tudo isso permaneceria deste modo se não contrariasse interesses econômicos. Só assim que os políticos se coçam. Como todo este contexto era impeditivo para o transporte de produtos de maior valor agregado, retiraram as famílias do local e construíram um muro para impossibilitar novas ocupações o que permitirá que os trens trafeguem em maior velocidade.
Talvez o fato que aconteceu seja apenas o último caso de violência relativo ao transporte de cargas na região. Eu particularmente duvido. Os bandidos do Rio de Janeiro são extremamente criativos e logo arrumarão uma maneira se dar bem ali. E já que estão com a mão na massa, por que não tentar resolver o arriscado transporte de passageiros? Dentro do Jacarezinho existe uma estação ferroviária chamada Vieira Fazenda onde o bicho pega e fêêêêêêio...
Marcadores: Ataque ao Trem, Rio de Janeiro




16 Comments:
At 20/9/07 08:32,
S0MBR4 said…
african brazilian way of life!
devia patentear a frase!!!
resumiu com precisão e clareza extamente o que acontece aqui! nunca tinha ligado uma coisa a outra...todos aqueles filmes sobre Africa (BlackHawkDown, Senhor das Armas, etc...) refletem com exatidão o ambiente.
At 20/9/07 14:02,
Saúvo Carrapatoso said…
Só acho que poderiam construir um muro bem maior. E não construir vilas olímpicas por lá. Vai que a bandidagem resolva praticar salto com vara.
Agora, que maldade com a Big Apple, hein? Comparada com o Jacarezinho, a Rocinha pode ser, quando muito, a Barra da Tijuca. Ou, no máximo, a Garcia d'Ávila em Ipanema.
At 20/9/07 15:46,
alexandre, the great said…
Señor Serjon.
O assunto será sempre "atual".
A propósito: da próxima vez poderia vir um número maior de autoridades da União - quem sabe o ministro da defesa? Também alguns jornalistas, para "cobrirem" a matéria.
Realmente, só quem mora aqui sabe...
Alexandre, The Great
At 20/9/07 17:52,
Blogildo said…
O Rio é uma festa! O melhor/pior é que até a ministra do Supremo já passou aperto por aqui. Eu adoro esse lugar! hehehehe!
At 20/9/07 19:11,
Dr. Banner said…
Sem piadas no comentário deste post. O jeito que você o escreveu foi... didático. E desesperançoso. Bandeira a meio pau por aqui. Abraço.
At 20/9/07 21:47,
João Bosco said…
Precisamos repensar nosso país, se nossas forças armadas, podem ir ao Haiti e, colocar ordem naquele país, porque não podem fazer o mesmo no RJ?
Posteriormente, o policiamento deve voltar para o estado do Rio.
At 20/9/07 23:43,
Saramar said…
Serjão, o que mais me chamou a atenção neste seu texto é o processo de ocupação do Rio pelos criminosos que parece inelutável.
Você se referiu à situação de vinte anos atrás e penso que, a depender de nossos "governantes", em outros vinte anos, a maior parte da cidade estará sob o domínio do crime.
beijos
At 20/9/07 23:45,
Saramar said…
Ah! esqueci.
Nossos políticos bem que poderiam adorar esse roteiro turístico como hábito. Quem sabe assim...
At 21/9/07 02:51,
Alan said…
Não sabia que o termo comunidade e coisa de antropologo... rs... Preciso rever meus conceitos... rs
At 21/9/07 08:06,
Serjão said…
Reveja seus conceitos, Alan. E vou dize mais: antropólogo viadinho. Tá cheio disso aqui no Rio
At 21/9/07 12:11,
Magui said…
Um povo abandonado tem mais é que reagir. Ou seria melhor ficar sentado esperando a vida passar?
Estes bandidos deviam receber royalt sobre os filmes nacionais.Agora vão inscrever um filme horroroso para o Oscar. E nós que vivemos longe disso temos que suportar a generalização.Pena que este povo não seja politizado .
At 21/9/07 12:38,
Alan said…
H� antropologo viadinho n�o � novidade... novidade � antropologo sem ser viadinho...
At 21/9/07 13:41,
Alexandre Core said…
Boa Serjão!
Quando o Hugo Chavez chegar com o cumpanhero Correa para conversar com as "Farfff" aqui no Brasil, poderíamos incluir no protocolo pedir para os cumpanheiro narco-traficante do Foro de São Paulo darem uma passada no Jacarezinho para conversar com os bandidos de lá. O negócio do governo não é negociar com bandido (de dentro e de fora do governo)? Então a gente coloca os bandidos das "Farfff" pra negociar com os bandidos do Rio e chegarem a um acordo para deixar o trem baleado passar.
At 21/9/07 14:29,
Daniel F. Silva said…
Não é coisa só de antropólogo viadinho, não. É coisa também dos politicamente corretos que não querem ofender os favelados (ops, "moradores comunitários") e demais esquerdistas que usam, até hoje, aquela esquecida (não por eles) cartilha do Lula como livrinho de cabeceira.
At 21/9/07 18:21,
Ricardo Rayol said…
Isso que eu chamo de anfitrião o resto é amador.
At 21/9/07 22:41,
Anônimo said…
O companheiro Daniel, e o Lula lá tem livrinho de cabeceira??? Ele tem é garrafa de cabeceira! E um Engov porque ninguem é de ferro.
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