Serjão comenta do céu

A Verdade dói. E aqui machuca mais.

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Um trem de emoções fortes e pessoas fracas

Falem o que falarem, pensem o que pensarem mas não é absolutamente excitante morar no Rio de Janeiro? Sei que o assunto é velho mas em que outro lugar do mundo um trem com Ministros de Estado a bordo seria alvejado por traficantes como foi no Jacarezinho? Só aqui e no Iraque, brow. Os caras são ousados mesmo. A bandidagem daqui não é brinquedo, não, o que torna viver no Rio de Janeiro uma experiência tristemente diferenciada.
Mas que anfitrião seria eu se não apresentasse aos meus leitores a região onde o atentado aconteceu? Por motivos alheios à minha vontade (e bota alheios nisso) eu conheço razoavelmente a região, como várias outras localidades carentes do Rio. Na verdade nem dá para afirmar se ali é a Favela (favela, sim. “Comunidade” é coisa para antropólogo) do Jacarezinho ou o Parque Arará. As duas favelas são contíguas e não dá para saber onde começa uma e termina outra. Independente disso, trata-se de um dos lugares mais pobres que eu conheço onde a desordem da ocupação inadvertida atingiu o seu auge, com alguns barracos chegando a se localizar a cerca de meio metro da linha do trem. (aqui neste link há ótimas fotos que comprovam isso) Comparada ao local, a Rocinha é Nova York. Por isso, a locomotiva quando passava era obrigado a trafegar numa velocidade muito baixa o que permitia saques de qualquer coisa que se estivesse transportando além de causar inúmeros acidentes com mutilações e mortes. Esta área se localiza a cerca de 300 metros do extinto Parque Industrial do Jacaré que há cerca de vinte anos era um grande centro produtor e arrecadador de impostos e hoje, expulso pelo tráfico, são apenas escombros invadidos por famílias faveladas. Resumo da ópera: um exemplo do legítimo african-brazilian way of life.
Tudo isso permaneceria deste modo se não contrariasse interesses econômicos. Só assim que os políticos se coçam. Como todo este contexto era impeditivo para o transporte de produtos de maior valor agregado, retiraram as famílias do local e construíram um muro para impossibilitar novas ocupações o que permitirá que os trens trafeguem em maior velocidade.
Talvez o fato que aconteceu seja apenas o último caso de violência relativo ao transporte de cargas na região. Eu particularmente duvido. Os bandidos do Rio de Janeiro são extremamente criativos e logo arrumarão uma maneira se dar bem ali. E já que estão com a mão na massa, por que não tentar resolver o arriscado transporte de passageiros? Dentro do Jacarezinho existe uma estação ferroviária chamada Vieira Fazenda onde o bicho pega e fêêêêêêio...

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16 Comments:

  • At 20/9/07 08:32, Blogger S0MBR4 said…

    african brazilian way of life!

    devia patentear a frase!!!

    resumiu com precisão e clareza extamente o que acontece aqui! nunca tinha ligado uma coisa a outra...todos aqueles filmes sobre Africa (BlackHawkDown, Senhor das Armas, etc...) refletem com exatidão o ambiente.

     
  • At 20/9/07 14:02, Blogger Saúvo Carrapatoso said…

    Só acho que poderiam construir um muro bem maior. E não construir vilas olímpicas por lá. Vai que a bandidagem resolva praticar salto com vara.

    Agora, que maldade com a Big Apple, hein? Comparada com o Jacarezinho, a Rocinha pode ser, quando muito, a Barra da Tijuca. Ou, no máximo, a Garcia d'Ávila em Ipanema.

     
  • At 20/9/07 15:46, Anonymous alexandre, the great said…

    Señor Serjon.
    O assunto será sempre "atual".
    A propósito: da próxima vez poderia vir um número maior de autoridades da União - quem sabe o ministro da defesa? Também alguns jornalistas, para "cobrirem" a matéria.
    Realmente, só quem mora aqui sabe...


    Alexandre, The Great

     
  • At 20/9/07 17:52, Blogger Blogildo said…

    O Rio é uma festa! O melhor/pior é que até a ministra do Supremo já passou aperto por aqui. Eu adoro esse lugar! hehehehe!

     
  • At 20/9/07 19:11, Blogger Dr. Banner said…

    Sem piadas no comentário deste post. O jeito que você o escreveu foi... didático. E desesperançoso. Bandeira a meio pau por aqui. Abraço.

     
  • At 20/9/07 21:47, Blogger João Bosco said…

    Precisamos repensar nosso país, se nossas forças armadas, podem ir ao Haiti e, colocar ordem naquele país, porque não podem fazer o mesmo no RJ?
    Posteriormente, o policiamento deve voltar para o estado do Rio.

     
  • At 20/9/07 23:43, Blogger Saramar said…

    Serjão, o que mais me chamou a atenção neste seu texto é o processo de ocupação do Rio pelos criminosos que parece inelutável.
    Você se referiu à situação de vinte anos atrás e penso que, a depender de nossos "governantes", em outros vinte anos, a maior parte da cidade estará sob o domínio do crime.

    beijos

     
  • At 20/9/07 23:45, Blogger Saramar said…

    Ah! esqueci.
    Nossos políticos bem que poderiam adorar esse roteiro turístico como hábito. Quem sabe assim...

     
  • At 21/9/07 02:51, Anonymous Alan said…

    Não sabia que o termo comunidade e coisa de antropologo... rs... Preciso rever meus conceitos... rs

     
  • At 21/9/07 08:06, Blogger Serjão said…

    Reveja seus conceitos, Alan. E vou dize mais: antropólogo viadinho. Tá cheio disso aqui no Rio

     
  • At 21/9/07 12:11, Anonymous Magui said…

    Um povo abandonado tem mais é que reagir. Ou seria melhor ficar sentado esperando a vida passar?
    Estes bandidos deviam receber royalt sobre os filmes nacionais.Agora vão inscrever um filme horroroso para o Oscar. E nós que vivemos longe disso temos que suportar a generalização.Pena que este povo não seja politizado .

     
  • At 21/9/07 12:38, Anonymous Alan said…

    H� antropologo viadinho n�o � novidade... novidade � antropologo sem ser viadinho...

     
  • At 21/9/07 13:41, Blogger Alexandre Core said…

    Boa Serjão!
    Quando o Hugo Chavez chegar com o cumpanhero Correa para conversar com as "Farfff" aqui no Brasil, poderíamos incluir no protocolo pedir para os cumpanheiro narco-traficante do Foro de São Paulo darem uma passada no Jacarezinho para conversar com os bandidos de lá. O negócio do governo não é negociar com bandido (de dentro e de fora do governo)? Então a gente coloca os bandidos das "Farfff" pra negociar com os bandidos do Rio e chegarem a um acordo para deixar o trem baleado passar.

     
  • At 21/9/07 14:29, Blogger Daniel F. Silva said…

    Não é coisa só de antropólogo viadinho, não. É coisa também dos politicamente corretos que não querem ofender os favelados (ops, "moradores comunitários") e demais esquerdistas que usam, até hoje, aquela esquecida (não por eles) cartilha do Lula como livrinho de cabeceira.

     
  • At 21/9/07 18:21, Blogger Ricardo Rayol said…

    Isso que eu chamo de anfitrião o resto é amador.

     
  • At 21/9/07 22:41, Anonymous Anônimo said…

    O companheiro Daniel, e o Lula lá tem livrinho de cabeceira??? Ele tem é garrafa de cabeceira! E um Engov porque ninguem é de ferro.

     

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